segunda-feira, 2 de março de 2009

Abaixo-assinado contra touros de morte nos Açores



Em nome da defesa dos animais, está a decorrer nos Açores uma petição contra a introdução de corridas picadas e touros de morte.
O documento que suporta o abaixo-assinado e a que o nosso jornal teve acesso, refere que “numa altura que as vozes de sempre aproveitando a revisão constitucional de 2004 e o novo Estatuto Político dos Açores, se preparam para fazer aprovar, na Assembleia Legislativa Regional, legislação que legalize a sorte de varas e depois os touros de morte, um grupo de cidadãos e cidadãs decidiu começar a luta em defesa dos direitos dos animais de que as touradas são uma parte do problema”.
Considerando que não é aceitável que “nenhum animal seja torturado para entretenimento do ser humano”, apela-se a cidadãos e organizações para que subscrevam a petição.
Isto, lê-se, considerando que todo o acto que implique “a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida (Artigo 11º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais).
Os subscritores - entre os quais se encontram Teófilo Braga, Zuraida Soares , Aníbal Pires e Mário Furtado - acreditam que a “evolução cultural irá sobrepor-se à tradição e à ignorância”, pelo que manifestam a sua profunda discordância com a pretensão tornada pública apelam para que “ não venham a ser legalizadas as corridas picadas e os touros de morte, por serem alheias à nossa cultura”.
Apelam ainda para que seja “aprovada legislação regional de protecção dos animais que tenha em consideração o disposto na legislação europeia e na Declaração Universal dos Direitos dos Animais que foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela Unesco”. O documento defende ainda que “não sejam promovidas nem apoiadas, com recurso a dinheiros públicos, touradas à corda, nas ilhas onde tal prática não é tradição”. De resto, criticam o que consideram uma imposição das touradas à corda em ilhas onde não há qualquer tradição, como Santa Maria ou São Miguel, “com a conivência ou apoio governamental ou autárquico”. Os promotores da iniciativa de que é primeiro subscritor Aíridas Dapkevicius, investigador-bolseiro, apelam ao envio de um mail para terralivreacores@gmail.com, apoiando o documento.
Recorde-se que o investigador e jurista açoriano Álvaro Monjardino disse em Janeiro último que “não existe nenhum obstáculo para que a Assembleia Legislativa Regional possa criar legislação que autorize as touradas picadas e, no limite, as touradas de morte”. Na conferência inaugural do Fórum Mundial da Cultura Taurina, em Angra do Heroísmo, Álvaro Monjardino considerou que o “obstáculo às touradas picadas”, invocado “de forma especiosa e forçada” pelo Tribunal Constitucional, já desapareceu da lei.

Olímpia Granada, Açoriano Oriental, 2 de Março de 2009

Nota- Depois das 50 assinaturas iniciais, até ao momento já foram recolhidas mais de 100 assinaturas, entre as quais de algumas associações.